junho 30, 2004

Um dia, um dia

MA: The notion of a "Life in Four Books" presupposes a linear progress, yet Lanark is not constructed in a traditionally linear way, moving as it does from book 3 to prologue to book 1 to interlude to book 2 to book 4 and an epilogue. How do you harmonize the artificially constructed life of the novel with the "real lives" of Lanark and Thaw?

AG: I felt no need to harmonize them. I yoked the bits together and expected the reader's interest to flow over all, as my imagination had done.

MA: Both Joseph Campbell and Mircea Eliade speak of quests as a kind of "enlightened return" unlike Nietzsche's "eternal return" which is divorced from any kind of spiritual enlightenment. A number of novels of character, The Stranger, The Sorrows of Young Werther, Hunger, have elements of this quest motif. Lanark too seems bent on a quest. Did you have such a notion in mind when you wrote the novel and if so what was Lanark's quest?

AG: The quest was to find more love and sunlight. He gets them on the last two pages.

(...)

MA: I read somewhere that you declare you have no religion, yet a character like Duncan struggles with the Judeo-Christian perplexities of God. How do you reconcile that in your writing?

AG: I don't reconcile it. I present it by (sometimes) describing a Thaw, a Lanark, a Jock McLeish haunted by an idea of God, which I am sure haunts many modern people without congregations who, doubting the eternity of mere selfish chaos, feel the possibility of eternal goodness.

(...)

MA: You've been lumped in the group of postmodern novelists. I've always had a problem with who is and who isn't a postmodern writer especially in light of such pre-postmodern writers as Sterne, de Maistre, Diderot, Machado de Assis, etc. It's been said that your novels have "a modish, often naive urge simply to flirt with fashionable styles, or to flaunt a new, post postmodern pretentiousness." What's your opinion of that?

AG: Like you, I have never found a definition of postmodernism that gives me a distinct idea of it. If the main characteristic is an author who describes himself as a character in his work, then Dante, Chaucer, Langland, and Wordsworth are as postmodern as James Joyce, who is merely modern. The opinion you quote does not say whether the critic who uttered it enjoys my fiction, though the verbs flirt and flaunt, the adjectives modish and naive culminating in the thunderous postmodern pretentiousness sound disapproving. But they also suggest I am the prose equivalent of new nursery wallpaper, which at best contradicts the notion that I'm gloomily apocalyptic.

Eu amo o Alasdair Gray.

junho 29, 2004

Winnae be in dock fir long, ken?

mojo: SAY FUCKIN NOWT TAE NAE CUNT AND HAND ME THE FUCKIN DOUGH
NOW
I WANT THE BRASS, LIKESAY
mojo: EH?
Galera: GIT TAE FUCK
mojo: EFITR YUV PEYED OAF THIS PUNTER HERE IM OOT

Uma amostra do tipo de coisa que acontece por ICQ quando você está traduzindo um livro em scots.

junho 28, 2004

Fale sujo para mim

Ever felt as though a piece of music is speaking to you? You could be right: musical notes are strung together in the same patterns as words in a piece of literature.

Bonito.

(O título do post é mais uma homenagem à imortal Escola Trabalho de Sopro de Tradução).

junho 27, 2004

Oh. My. Goodja.

[link=http://www.accoutrements.com/actionfigures/11316.html]Eu quero[/link].

Atualização: O link é este aqui, claro. Deixei a bobagem original para eu perceber que talvez esteja passando tempo demais nas comunidades do Orkut.

junho 22, 2004

Die ewige Wiederkehr des Kücken

Olha, olha! Não é o Galera respondendo às mesmas perguntas de sempre?

junho 21, 2004

Crescendo no caixão

Bonito. Julgando por essa amostra, fiquei com vontade de publicar o livro quando ficar pronto.

(Se o cálculo não me engana, faltam dois meses e cinco dias para o Oitentão do falecido. Era bom esse rapaz, era bem bom mesmo).

junho 20, 2004

Motiva e constrói

Pilla, nosso garoto-espaguete, o Espírito Santo d'O Pinto, está de volta de Milão. Em "Pilla, disegnatore visionario", um registro de sua passagem pela Itália. Avanti, fratello.

junho 19, 2004

Glória nerd

THEY STOLE OUR REVOLUTION. NOW WE'RE STEALING IT BACK.

Ach, eu me comovo com cada cousa. Mas hm, "Sending >500KB attachments is forbidden by the Geneva Convention. Your country may be at risk if you fail to comply" é simpático demais para que eu consiga conter as lágrimas (duas).

O aguaceiro só veio mesmo quando cliquei aqui e dei de cara com "new hardware/software developments on the Sinclair Spectrum". Tudo é engraçado demais, não consigo parar de rir. Ahh; irmandade.

junho 17, 2004

Somaterapia para cactos

Lançamento do livro wunderblogs.com

Iremos, eu e Fabi. Copiai, divulgai:


Atualização: Condoído e risonho, nosso orçamento familiar informa que não mais compareceremos ao lançamento.

junho 16, 2004

Previamorfaica

Esqueci o nome desse escritor russo nazi-comunista que está preso por também não lembro qual motivo (é algo meio socrático, se não me engano), mas ele tem feições lombrosianamente simpáticas e inventa cousas divertidas. Mas ele ainda está preso? Espera, ele foi preso? Não era só um julgamento com muitos fotógrafos e discursos shock-chic? Esqueci. Céus, preciso ir mais devagar.

Vou é me mudar para a Áustria, lá o lixo é separado de forma civilizada, tudo muito colorido, o que deixaria (a triagem, a organização) a Fabi soberbamente feliz; além disso, quero viver neste povoado. Hey ho. Estou progredindo no alemão. Daqui a vinte e oito anos conseguirei comprar sorvetes por lá. Muitas cousas para aprender, fico zonzo.

Filtrar. Ordenar. Um, três. Pronto.

The "happiness-maximising" number of sexual partners is one. (...) Homosexuality has no statistically significant effects on happiness. (...) Greater income does not buy more sex, nor more sexual partners.

Fucking A! Quando crescer e comprar um jaleco usado, mãe, serei pesquisador.

Meu olho melhorou. Obrigado pelas compressas, esposa; é a melhor, a melhor. É minha.

Boa noite aos gentios.

Desabrocha, dia 16

Rim no café da manhã? Stately, plump Daniel Pellizzari recusa. De resto, dá-lhe cenzão.

junho 15, 2004

Oi, meu nome é John Constantine

Na urgência de criar imagens
Exposição póstuma, na Usina do Gasômetro, reúne 30 pinturas da gaúcha Silvia Motosi

Uma saturação de cores e figuras, uma urgência de imagens, uma pulsão de vermelhos, amarelos e azuis, personagens estranhos, místicos e profanos, ocupam a partir das 19h de hoje a Galeria Iberê Camargo, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. São 30 pinturas de Silvia Motosi, organizadas em dípticos e polípticos (imagens que se compõem pela aproximação de duas ou mais partes).

Trata-se de uma exposição póstuma. A porto-alegrense Silvia morreu em fevereiro de 2002, aos 30 anos. Deixou um legado de quase 400 desenhos e cerca de 160 pinturas.

- Ela era intensa. Trabalhava rápido. Era compulsiva por pintura - lembra Amélia Brandelli.

Amélia também é pintora e dividia ateliê com Silvia. Partilha a curadoria da exposição que será inaugurada hoje com outra pintora gaúcha, Marilice Corona. Amélia e Marilice procuraram selecionar para a mostra trabalhos que fossem representativos de diferentes fases do percurso da amiga. Estão lá a série das Verônicas, com declarada matriz na obra do mestre austríaco Gustav Klimt, as figuras que embaralham personagens sagrados da umbanda, do catolicismo e de remotas religiões celtas, os retratos de amigos, aos quais a artista adicionava coroas de espinhos, piercings, flores e guampas. Mas há, antes de tudo, uma unidade de cores, temas, formas e formatos - que praticamente anulam a divisão por fases. Tudo em ritmo frenético. Amélia diz que propositadamente ela e Marilice decidiram superpovoar a galeria de imagens:

- Pensamos em usar o mesmo princípio que Silvia usava: saturar o espaço.

Serviço
O QUE: exposição de pinturas de Silvia Motosi
QUANDO: abertura, hoje, às 19h. Visitas de amanhã a 4 de julho, de terças a domingos, das 15h às 19h
ONDE: na Galeria Iberê Camargo, na Usina do Gasômetro (João Goulart, 551)
QUANTO: entrada franca

"Vou encher aquele lugar com tantas coisas que uma igreja barroca de Minas vai parecer templo pentecostal", ela me disse certa vez. More is more. "O importante é vencer em alegorias e adereços".

"Agora estou fazendo uns retratos. Tu não vai gostar, são meio acadêmicos". Falou sem ironia alguma. Morri de rir. O meu não deu tempo de fazer.

Que saudade desgraçada. A Igreja do Santo Ofídio Gnóstico (Reformada) me faz falta quase todo dia. Hoje é certo que pago um mico de chorão.

Salve Regina, Mater misericordiae. Agora, finalmente, temos a mesma idade. Logo você vai ficar mais nova que eu; inconcebível, como todo o resto.

junho 14, 2004

A morte do lixo tedesco

Depois que finalmente deixou o corpo morrer e abandonou o trabalho, Hermano Freitas tornou-se um mestre da narrativa. É um pouco ingênuo culpar os vermes por isso, pois todos sabem que eles são péssimos contadores de histórias. Creio que foi simplesmente pelo fato de ter parado de beber. Morto, já estava onde queria, e o álcool não mais servia para coisa alguma. Seu crânio vazio estava pronto para dedicar-se a contar histórias, enquanto o cérebro ia se desfazendo em pasta e os cabelos loiros caindo em mechas que forravam o fundo do caixão.

Estou relendo umas cousas antigas, aqui. A juventude tardia que substitui a maturidade precoce, olha, vou te contar. Alegria de estar senil, é o que digo.

Monóculo

Como me ditou Crumbo Parsifal nos estertores de 1998, o homem chegou no portão e não disse nada. Ficou ali sujo cinza preto e gemendo, com um saco. Gengivas ocre. Plop: tirou o olho. Os Illuminati: A Visão. Odin ficou pendurado em Yggdrasil e no fim da patuscada perdeu um olho e ganhou as Runas. Talvez ser míope sirva como desculpa. As coisas todas foras de foco, o maldito monóculo, mas mordam-se de inveja: assim me torno um meio-sábio.

Estou com uma dor esquisita no canto do olho esquerdo; um pequeno inchaço a acompanha. Mal consigo fechar o olho, dormir é um problema. Não me parece tersol ou cousas do tipo. Tentarei compressas de água morna, depois recorro aos especialistas. Sei que estou ficando caolho, não precisam mentir. É a glória, é a glória de Polifemo. Olá, Camões.

Mas que pare por aí. Cego, não funciono, mesmo acostumado à situação limítrofe de meus quase dez graus.

Precious


Silvia Motosi (03/11/1971-26/02/2002)

pinturas
curadoria de Amélia Brandelli e Marilice Corona

Abertura da Exposição : 15 de junho às 19hs
Galeria Iberê Camargo - Usina do Gasômetro
Visitação : 16/6 a 04/7
Terças a domingos das 15h às 19h

Imperdível. Minha irmãzinha foi a melhor que eu vi de perto.

junho 13, 2004

Os que vieram antes

Writing is a process of dealing with not-knowing, a forcing of what and how. The not-knowing is crucial to art, is what permits art to be made. Without the scanning process engendered by not-knowing, without the possibility of having the mind move in unanticipated directions, there would be no invention. The not-knowing is not simple, because it's hedged about with prohibitions, roads that may not be taken. The more serious the artist, the more problems he takes into account and the more considerations limit his possible initiatives.

Donald Barthelme (1931-1989), definitivamente um sujeito legal pacas.

Barthelme had no set reading list that I can recall. He simply said, “Read all of Western philosophy, for starters, then read some history, anthropology, history of science.” I’ve read a reaction that a Johns Hopkins class had to this command (which was similar to the one he made to us). A student there said, “But we have to eat and sleep.” Give up sleeping, Barthelme replied; that’s a good place to start.

junho 08, 2004

AEEEEEEE

Ô. Como dirá o César daqui a alguns dias, o Orkut é uma coisa que destrói qualquer ensaio de arremedo de sonho de querer sentir orgulho de ser brasileiro.

Heart of darkness

Ontem, os vizinhos do andar de cima compraram um CD da Mariah Carey.

junho 07, 2004

Oh, o sentido das cousas

Escritores que costumam usar um narrador em primeira pessoa em ficção de tom naturalista invariavelmente se tornam reféns das perguntas "mas é verdade?" e "aconteceu com você?"; como são bobas essas dúvidas. Da mesma forma, os autores que trabalham vezenquando com a temática do absurdo acabam alvejados com variações de "o que isso quer dizer?', questionamento talvez ainda mais bobo.

Como membro impermanente do segundo grupo, tracei uma estratégia simples para tentar fazer os leitores se preocuparem com o que importa - o texto, somente o texto e as conexões nele contidas; o diálogo entre a mente do autor e a mente do leitor, intermediado por todas as mentes com as quais se relacionaram - e esquecerem de importunar o escritor.

Quando alguém me pergunta o que eu quis dizer com algum conto, muitas vezes insinuando que não quis dizer nada, recupero imediatamente o texto e todas as suas camadas e apresento uma explicação qualquer. Exemplo? Meu conto "Buraco", em que o aposentado José Leonel acorda com um buraco na testa - de onde mais tarde começam a sair vozes muito polidas - e em seguida arranja um meio de resolver o problema apenas para causar outro, pode ser visto como uma metáfora do uso indiscriminado de psicofármacos nesta era de degenerescência. É uma interpretação divertida, ainda que limitada. Faz algum sentido, mas garanto que não pensei nisso ao escrever o conto.

Se alguém tenta confirmar comigo se um conto quer dizer qualquer coisa, respondo simplesmente que não, que não quer dizer nada; é só aquilo mesmo. Uma vez perguntaram se "Surpresa" é uma alegoria de invasões de sem-terra (sim, sim, perguntaram isso); respondi que não, não, é só uma história sobre um sujeito, o bom Messias, que acaba envolvido com um grupo mui heterogêneo de criaturas que invadem residências para devorá-las por completo a partir da cozinha. É só isso, digo, sorrindo. Não digo que pensei em coisas completamente diversas ao inventar tudo aquilo.

Para cada situação, busco a correção da melhor resposta errada.

Um escritor começa um texto para resolver uma dúvida. Se, de antemão, soubesse perfeitamente o que está pensando, com todas as suas nuances, não haveria motivo para escrever o texto. Caso pudesse expressar aquilo de maneira mais clara e/ou não fosse afeito ao uso de símbolos para compreender o mundo, escreveria um ensaio ou ficaria quieto. Um leitor cuidadoso se aproxima de um texto ficcional com a mesma disposição; destrinchar um fragmento do mundo através da imersão voluntária em um fragmento do mundo filtrado por outra mente, que compartilha ou não o mesmo conjunto de símbolos com a sua - talvez de modo semelhante, talvez de modo inverso.

Exerço um esforço consciente para não me importar com o que este ou aquele pensam sobre minha literatura. Não tem a mínima importância, no final das contas, e é um perigo meter os pés nessa charneca. Sempre vai aparecer um fulano para acusar o autor disso ou daquilo; cada um tira o que quer (ou o que pode) de um texto, e o que não falta neste planetinha são criaturas que se detém exclusivamente no que consideram defeito ou que baseiam seus julgamentos em fatores completamente extra-literários. Má-fé é um artigo que nunca está em falta no mercado das vaidades, do qual procuro me abster sempre que possível.

O trabalho de um autor termina no ponto final; o de um leitor, na primeira linha. Qualquer sentido, qualquer fruição, acontece no espaço em que um e outro se tocam. O escritor não pode resolver esse problema sozinho. Considero que o melhor é me limitar a escrever, colocando as referências que julgar adequadas e as estrepolias que desejar. O leitor que se divirta, ignore, bufe ou esperneie. Isso é com ele. Que interprete minha literatura como quiser, que se vire como puder. É assim que me comporto como leitor, e não apenas por isso creio ser a melhor atitude. A diversão aumenta, a compreensão se aprofunda. Todos ganham. Além disso, é importante lembrar que nem sempre essa compreensão, que pode tomar ares de epifania, é passível de ser verbalizada ou até mesmo cogitada logicamente. É a graça maior de nosso esporte predileto, não?

Quem não se interessar por tudo isso, oh bem, muito justo. Podem sambar ou dançar o arrocha; dizem que faz bem. Que todos sejam felizes conforme lhes aprouver, desde que não muito perto de mim e dos que me são caros.

(Confesso que vezenquando passo tardes na tentativa infrutífera de banir o espectro de meu leitor ideal, com a insônia ideal. Ele nunca busca porquês e enxerga cada uma das conexões entre as pecinhas que arrumo com cuidado para que pareçam soltas. Nunca me pergunta nada, nadinha; sabe que sempre darei uma resposta para outra pergunta. Contenta-se com o texto, que cresce dentro dele a cada leitura. Ele não tem corpo, é um cérebro flutuando dentro de um pote de biscoitos, uma consciência permeando os espaços entre os caracteres nas páginas dos meus livros, uma presença difusa na luz intermitente dos monitores. Ele é mulher).

junho 06, 2004

I say, let's invade the empty beaches

Há sessenta anos, teve lugar uma operação para deter o avanço do comunismo russo em direção à Europa ocidental.

junho 03, 2004

Heptaceenenecontassílabo!

Helen DeWitt, autora do fascinante "The last samurai" (nenhuma relação com o filme), desapareceu. Ela que não ouse aparecer morta; ou retorne de uma vez, ou desapareça para sempre sem deixar vestígios (a mais bela e íntima das mortes).

Como gostaria muito de ler seus próximos livros, prefiro a primeira opção. Sua obra de estréia (leiam, leiam: saiu no Brasil pela Rocco, como "O último samurai"1) é um dos raros livros de mais de quinhentas páginas que li de uma vez só, sem conseguir largar por meio segundo que fosse. Sei que não fui o único a ficar tão absorto.

Ou seja, ainda não é hora de brincar de Ambrose Bierce, sra. DeWitt. Volte logo, hm?

1 A tradução de Vera Ribeiro é muito boa. Que eu lembre, o único problema fica por conta de algumas palavras transliteradas para hiragana e que permaneceram em inglês na tradução, algo assim. Mas não atrapalha em nada a leitura, só chatos detalhistas2 como eu se dão ao trabalho de perceber.

2 Tão chato e detalhista que me prestei a procurar o erro. É na página 163, quando a Sybilla está pensando em como ensinar o hiragana para o Ludo. Ela pensa na frase "o gatô no matô", mas como os caracteres não foram traduzidos lê-se 'te katsuta in te matsuta' (ou seja, 'the cat is on the mat'). Problema simples de resolver, é só trocar os caracteres. É, vou mandar um mail pra Rocco. Chaaaato.

junho 02, 2004

Gato olha o gato olhando o gato que olha o gato

Ainda sobre gatos, preciso de uma câmera digital para participar do projeto Infinite Cat. Adorável, adorável.

Gatos comedores de tofu

Anteontem à noite estávamos eu e minha mulher olhando nossa gata enfiar o nariz na comida e me veio uma dúvida: o que os vegans que têm gatos fazem para alimentar seus animais de estimação? Como são contrários ao consumo/uso de qualquer produto de origem animal, acima de tudo por conta do argumento da 'crueldade', simplesmente não poderiam alimentá-los com ração e muito menos com algum tipo de carne. Acontece que, como todos os felinos (se estiver errado, aceito correções), gatos domésticos são carnívoros. Para funcionar corretamente, seu organismo precisa de diversos nutrientes encontrados na carne de outros animais. Não consegui imaginar um bichano comendo tofu todos os dias, por melhor que fosse o molho; gatos são animais simples e particularmente refratários à espécie de condicionamento que faz humanos agirem dessa forma. É até possível convencê-los a algumas cousas, mas nem sempre é desejável.

Curioso para entender o que os vegans dão aos seus gatos três vezes por dia, dei uma volta no Guga e encontrei isto aqui. Sim, gatos vegans. Leiam.

Isso é uma abominação, uma excrescência. Nem o argumento da 'crueldade' se sustenta neste ponto. Privar um animal de substâncias imprescindíveis ao bom funcionamento de seu organismo é crueldade; crueldade a médio ou longo prazo, sim, mas crueldade quase criminosa. Sem taurina, por exemplo, gatos podem acabar ficando cegos e surdos. Além disso, tomando tantos 'complementos', como se fossem marombeiros do inferno, sabe-se lá quais efeitos colaterais bisonhos muitos desses animais vão acabar sofrendo por conta da estultice de seus donos verde-pardacentos. Até mesmo algumas rações causam problemas justamente pela adição indiscriminada de 'complementos'. Problemas renais aparecem a torto e a direito, entre outros, e é um dos motivos pelos quais as rações mais bem-sucedidas comercialmente costumam trocar de "fórmula" com alguma freqüência.

Pelo jeito, os vegans só se opõem ao sofrimento dos animais, só o consideram 'crueldade', se este for rápido; impor uma lenta e dolorosa decadência orgânica a um felino parece ser perfeitamente aceitável e politicamente correto.

Ah, essa gente. Me é difícil conceber pessoas que não entendem a função básica da morte. Mais fácil seria se apenas resolvessem não ter gatos, hm?

Isso, isso

Os Justos

Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire
Outro que agradece que na terra exista música.
Outro que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que jogam xadrez silenciosamente num café do Sul.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe com denodo essa página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de um certo canto.
Outro que acaricia um animal adormecido.
Outro que justifica ou quer justificar uma maldade que lhe hajam feito.
Outro que agradece que na terra houve Stevenson.
Outro que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que não se conhecem, estão salvando o mundo.

(Tradução porca para Los Justos, de Borges).

Do Láudano.

 






Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
Samuel Beckett (1906-1989)