setembro 28, 2004

Transgride aí

Pellizzariness
Sabbag: "Fala, meu filho, e deixa de mudra"
Sete imagens do Perhappiness, cortesia da minha fiel Love Digitaltm (exceto a primeira fotinha, nascida da câmera de burguêis da Seesaw). Mais? Mais: depois, bem depois.

setembro 26, 2004

No new mail

Voltamos do Perhappiness; foi divertido. De hoje a sexta-feira, estarei chafurdando nos toques finais de uma tradução, logo não poderia nem estar digitando estas cousas por aqui. Mas é importante, veja:

O email mojo arroba livrosdomal ponto org não está funcionando desde que viajei, por motivos esdrúxulos: não recebo nadinha que mandam pra lá. Enquanto resolvo esse jenipapo, o que pode levar um tempo pelo motivo exposto no parágrafo anterior, mandem suas cartinhas para mojo333 arroba gmail ponto com. Danke.

setembro 20, 2004

The earth... is rotten

Céus, como isso aqui é engraçado. Não consigo parar de assistir.

setembro 17, 2004

Can't break a dead girl's heart

just 'cause I'm biting on your head there's no need to be impolite

Opa, Zombina & The Skeletones (a melhor banda da história de Liverpool) acaba de lançar um single novo, chamado "I Was A Human Bomb For The FBI". Wheeeeeee!

Enfim, só uma desculpa pra postar essa foto e deixar isto aqui ainda mais mocinha. Que fofos.

setembro 15, 2004

Felicidade talvez

Na próxima semana, da terça 21 ao domingo 26, Curitiba sediará o evento literário Perhappiness, cujo tema deste ano é "trangressão", mais especificamente a trangressão da linguagem. Hmm.

Participarei da mesa de abertura, na companhia de Cecília Giannetti e Lucio Ribeiro, mediada pelo glorioso Ricardo Sabbag. Em teoria, falaremos de "blogescritores", mas não é feio prever que diversos assuntos correlatos lançarão seus tentáculos sobre os presentes. Como de hábito, prometo só falar sobre o que eu entendo; preferencialmente, apenas sobre o que entendo muito bem. No mesmo dia, depois do falatório, autografarei solito o mostardinha (a.k.a. "Wunderblogs.com") para quem aparecer por lá.

A programação completa está aqui, confiram. Tem pra todos, tem de tudo, todo dia. Joca Terron, Mário Bortolotto, Daniel Galera, Carpinejar, Clara Averbuck, Lourenço Mutarelli, Rodrigo Garcia Lopes, muita gente. E shows, shows: Blanched, Wandula, Jazzie & Os Vendidos, Keltoi etc. O Perhappiness também tem um blog oficial, onde eu e outros convidados postaremos comentários à guisa de aquecimento, sob a batuta do Sabbag. Fuce lá e, caso more ou esteja de passagem pela cidade mais limpinha do país, apareça.

setembro 14, 2004

My "perfect" reader is not a scholar but neither is he an ignoramus; he does not read because he has to, nor as a pastime, nor to make a splash in society, but because he is curious about many things, wishes to choose among them and does not wish to delegate this choice to anyone; he knows the limits of his competence and education, and directs his choices accordingly. (Primo Levi, "This Above All: Be Clear")

Citações, citações, citações; como estou loira. Prometo não melhorar.

There are people everywhere who form a Fourth World, or a diaspora of their own. They can be Christians or Hindus or Muslims or Jews or pagans or atheists. They can be young or old, men or women, soldiers or pacifists, rich or poor. They may be patriots, but they are never chauvinists. They share with each other, across all nations, common values of humor and understanding. Among them you know you will not be mocked or resented, because they will not care about your race, your faith, your sex or your nationality, and they suffer fools if not gladly, at least sympathetically. They laugh easily. They are easily grateful. They are never mean. They are not inhibited by fashion, public opinion or political correctness. They are exiles in their own communities, because they are always in a minority, but they form a mighty nation, if they only knew it. It is the nation of nowhere, and I have come to think that its natural capital is Trieste. (Jan Morris)

Hmmmm. Trieste, hein? Já estive lá; fica aqui em casa.

setembro 10, 2004

& éramos giovenn

Para registrar o kerb de três anos de falecimento do Cardosonline, comemorado entre hoje e domingo, republico aqui minha última coluna no afamado periódico. Três centenas de edições, hm? Foi trimmmassa.

(Em termos anal-retentivos é a antepenúltima, mas considerando-se que a penúltima eram apenas três links e a última era um email surtado que mandei para a mailing list interna do zine e o Caroção resolveu publicar, esta foi mesmo a última. Segue:)

____________________________________________________________
_______________________________ EU NÃO SOU JAIME RODRIGUES _
_ notas para uma vida sustenida ___________________________
__________________________________________/daniel pellizzari
Sabemos demais sobre nós mesmos e as mulheres para partilhar os sentimentos do jovem Werther. - São Paulo Francis


- * -

Chega a ser mais do que curioso ou instrutivo saber que as últimas palavras de Hegel foram "apenas um homem me entendeu, e na verdade ele também não me entendeu". Mas este é meu assunto da semana que vem, então eu e vocês vamos ter que esperar sentados. Enquanto isso, vou distraindo a platéia com outras coisas. Tudo bom com vocês, lindezas? Comigo tudo ótimo. Então sigamos.


- * -

Também não acredito em nada,
mas passar a vida discutindo
a bateria do carro, ou que
isqueiro se deve usar, ou
que empreguinho de bosta se
deve ter, prefiro uma boa morte.
-São Paulo Francis

- * -


CHI FOFOCAS CUJOS
RESTINHOS SAEM DO
FUNDO DA CACHOLA

ou

COISAS QUE EU SEI MAS NÃO LEMBRO SE INVENTEI OU LI -


a) Anthony Burgess (autor de "Laranja Mecânica", só para ficar no livro mais conhecido, cuja notoriedade lhe incomodava e cuja adaptação para o cinema lhe deixou muito insatisfeito, por motivos até justos) e Glauber Rocha (aquele cineasta que apesar de ter feito alguns grandes filmes de fumeta só experimentou maconha pra socar umas bronhas) chegaram a escrever alguns roteiros juntos, mas nenhum produtor se interessou e a coisa ficou por isso mesmo. Não sei que fim levaram esses roteiros, e na real não sei se algum foi terminado. Mas que devem ser no mínimo curiosos, ah, isso devem. Principalmente se fossem dirigidos por, digamos, o Mojica.

b) No meio de um de seus incontáveis birinaites, o caolho-mor James Joyce resmungou uma teoria para Samuel Beckett: Adolf Hitler tinha deflagrado a Segunda Guerra Mundial apenas para desviar a atenção do público e impedir o sucesso total de sua "obra em andamento", que conhecemos hoje como "Finnegans Wake" e é um livrinho coisa fina de se abrir em qualquer página e ficar lendo em voz alta até ter um orgasmo. Depois largar, é claro, porque tudo nesse mundo tem que ter um limite. Não vou dizer o porquê, mas acreditem em mim. Também é legal ficar lendo as três últimas frases em conjunção com as primeiras, mas isso já é questão de gosto pessoal e não tem nada a ver com memória, então termino este item lembrando também que a filha louca do Joyce era apaixonada pelo Beckett e, não sendo correspondida, começou a odiar judeus e dizer que eles apodreciam o mundo y tal y cousa. Se vê que os Joyce eram realmente uma família afeita à paranóia. Gente boa, mas não exatamente por causa disso.

c) William Blake insistia em usar um chapéu vermelho que todos, incluindo sua fiel esposa, achavam ridículos. Ele achava legal, e isso é o que importava para ele e os outros que se danassem. Isso parece meio banal hoje em dia, mas não sei se também o era no século XVIII. Blake também gostava de garotinhas. Estou falando de garotinhas mesmo: onze, doze, treze anos. Isso parece meio banal hoje em dia, se a gente parar pra pensar, mas com certeza não é uma coisa que alguém assume assim sem mais nem menos. De repente era normal no século XVIII, pensando bem. As coisas são tão engraçadas, não são? Eu acho. E gosto muito do Blake, apesar de tudo.

d) Já que falei do Hitler ali em cima, vou poupar vocês de lembrar daquela história de que ele só tinha um testículo e por isso ficou um tantinho recalcado. Me parece bobagem. Tem também o papo de que ele não era muito chegado na cópula, que era vegetariano e que odiava cigarros. Depois que gentilmente suicidou a Eva Braun (ato deveras simbólico se você observar que ela tinha um nome judeu e um sobrenome alemão, dois povos que o austríaco sacaneou direitinho) e meteu uma bala nos cornos, o primeiro ato de muita gente naquele bunker fedido e escuro foi acender um cigarrinho. Mas longe do Goebbels, que na real eu não sei se a esta altura também já tinha suicidado a mulher e os filhos, mas que quase com certeza posso fofocar pra vocês que era bem chegado numa furunfada. Assim como o Göring e o Himmler, mas esse aqui me parecia mais pro lado "teu corpo é meu espelho e em ti navego", e com isso eu sinceramente não estou tentando insinuar nada. Galã mesmo era o Rommel, mas não lembro de historinha alguma sobre ele. Que envolva gatas quentes, isto é. Heh, parece piada sobre os Afrika Korps.

e) O poeta, cachaceiro, misticóide, filosofista e neurótico Fernando Pessoa, além de ser chegado num mapa astral, chegou a trocar algumas carta com o bon vivant, fudedeiro, enxadrista, macumbeiro, alpinista e (vá lá) poeta Aleister Crowley. Eles marcaram um encontro, que o Pessoa adiou várias vezes porque urano estava em conjunção com plutão na casa XII ou algo assim, mas acabou rolando. Quer dizer, rolou a intenção, mas o portuga ficou esperando com cara de ó porque o inglês desapareceu misteriosamente, deixando a polícia intrigada com seu paradeiro. Depois o carequinha reapareceu, mas nem ele nem o do bigodinho fizeram qualquer comentário sobre o assunto. RPGistas. Se não me engano, o dia em que isso aconteceu estava deveras brumoso, o que seria tão clichê que tem tudo para ser factual. Coisa de quem poeteia.

E era isso por hoje. Me limito a cinco itens ou acabo escrevendo quinhentas páginas de historinhas envolvendo gente famosa, interessante e morta, sem ter certeza alguma se elas realmente são verdade ou se eu li alguma mentira ou se eu inventei quando não tinha mais o que fazer. A propósito, se alguém puder me enviar comprovação de fonte fidedigna sobre alguma das coisas que escrevi ali em riba, agradeço. O email está ali no fim do zine. Prometo prêmios incríveis às boas almas pesquisadoras que me prestarem este favor. Minha gratidão, ainda que limitada, é um deles.


- * -

Botar o bacalhau para fora
é a moda, não ocorrendo,
aparentemente, à maioria das
pessoas, que bacalhau fede.
- São Paulo Francis

- * -


E, POR FIM, A
SUA TRADUÇÃO DE
DANIIL KHARMS
PARA A SEMANA É:

#INCIDENTES

Certo dia Orlov se empanturrou de purê de ervilhas e morreu. E Krilov, ao saber diso, também morreu. E Spiridonov morreu por conta própria. E a mulher de Spiridonov caiu do aparador e também morreu. E os filhos de Spiridonov se afogaram no açude. E a avó de Spiridonov tomou um trago e caiu na estrada. E Mikhailovich parou de pentear o cabelo e pegou sarna. E Kruglov desenhou uma mulher com um chicote nas mãos e perdeu a cabeça. E Perekhrestov recebeu quatrocentos rublos por telégrafo e ficou tão metido a besta que acabou demitido.

São todos boas pessoas - mas não conseguem manter os pés plantados no chão.

- * -

O artista nos revela o que
não sabemos sobre nós próprios
ou sobre o mundo. Quem apenas
massageia nossos preconceitos
e pressuposições não é artista.
- São Paulo Francis

\\trilha
"king of the delta blues singers",
robert johnson
---Daniel Pellizzari (Fu Mochu)

setembro 06, 2004

Now that's more like it

(...) works that perceive the world in a fundamentally religious way; that is, works that reflect an understanding of life and art as taking place in tension with the transcendent, as a response the Mystery or "the world behind the world," as a quest within a reality pregnant with truth that always seems to loom just beyond us.

[(...) obras que entendam o mundo de uma forma essencialmente religiosa; isto é, obras que reflitam uma compreensão da vida e da arte como nascidas da tensão com o transcendente, como uma resposta ao Mistério ou ao "mundo além do mundo", como uma busca dentro de uma realidade plena de verdade que parece estar sempre bem à nossa frente.]

Exato. Como é simpático esse povo do The New Pantagruel.

setembro 04, 2004

Primeiro & eterno

From childhood's hour I have not been
As others were — I have not seen
As others saw — I could not bring
My passions from a common spring —
From the same source I have not taken
My sorrow — I could not awaken
My heart to joy at the same tone —
And all I lov'd — I lov'd alone —
Then — in my childhood — in the dawn
Of a most stormy life — was drawn
From ev'ry depth of good and ill
The mystery which binds me still —
From the torrent, or the fountain —
From the red cliff of the mountain —
From the sun that 'round me roll'd
In its autumn tint of gold —
From the lightning in the sky
As it pass'd me flying by —
From the thunder, and the storm —
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.

Poe, o fabuloso cabeção.

OI Sleep

setembro 01, 2004

Shock of recognition

19:53:52 mojo: fala algo engraçado aí.
19:54:04 Galera: vamos tomar uma ceva?
19:54:29 mojo: boa.

 






Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
Samuel Beckett (1906-1989)