(putaria.)
#5 ; edição cajadada

 

complete esta foda
com alguma lógica
ou
me veio um agosto
nas entranhas

crumbo parsifal

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ah, o amor, este supositório de versânia.
mariana e. messias: livro de Catarina

agora que me foram concedidos poderes sobre a finitude dos começos ninguém me separa do cinismo das tuas secreções. ontem escovei os dentes com tua boca, amanhã vou estar lavando teus pés com as costas de minha língua. você deixou seus olhos comigo e nem a luz mais metida a espertinha seria rápida o suficiente para levá-la daqui sem que eu percebesse. é assim que funciona, pequena beatriz sem pena a cumprir. os mecanismos não estão se importando muito com as engrenagens, e você nem se coça para tentar ter idéia do que te faz furar o chão sob teus pés, de tanto que gira. foi preciso que o mundo trocasse de eixo para abalar minha fé, mas agora é só uma questão pessoal. o universo cansou, agora somos eu e você, sozinhos, trancados nesta brecha úmida, se matando sem ao menos querer brigar. urano na primeira absorve tudo e se compraz com qualquer reviravolta. quando as lesmas parrudinhas escorrem pelas pedras você deita na palha suja de porra e fica citando joyce ^envisaged battered candlesticks melodeon oozing maggoty blowbags^ como se isso fosse te escancarar as pernas com abridor de latas. não é assim, eurídice. não foi exatamente com isso na cabeça que eu vim até aqui. até gostaria de saber o que eu trouxe, mas a cabeça acabei esquecendo na bandeja do mordomo. simpático, ele. bonitos ossos do queixo. acho que deveríamos beber um pouco dessa coisa, antes que esfrie. mas eu sei, agora que já é tarde demais você vai dizer que está ficando tonta. só não me peça para cuidar de você. me peça qualquer coisa que comece com um por favor que você vai descobrir as alegrias de passar uma semana vomitando satisfação pelos poros. se não podemos fazer nada, me passe o dominó dos teus ossos que eu preciso me distrair. não há tensão ou novidade em cuspir nas rótulas daqueles que já se foram, salomé. como já sei disso e de muitas outras coisas - valha-me o olho do cu - fico aqui adulando as coisas que espetam cabeçadentro. dedo na frente da boca, caluda. não há graça ou milagre em não sofrer pelo já esperado. que esse lodo grude nas canelas eu entendo, e baixo a guarda sem mais delongas. sabe, eu era um menininho ainda hoje, até que as cancelas foram abertas e a boiada passou sem dar a mínima para o macio das minhas pernocas gorduchas. eu me fixo nos pedaços, ligéia. quero tudo em caquinhos sujos cravados em minhas mãos amarelas. quero nada de adjetivos. quero só um pouquinho, um perto. um pertinho, um pouco. qualquer coisa que não sejam palavras, porque do meu cansaço a maioria é feita delas. quem se fode não são as palavras, alice, são seus portadores. eles se esfalfam em migalhas, elas ficam pairando por ali. não mudam, não sofrem, estão fora do maldito ciclo e não precisam de nenhum dos mil braços de avalokiteshvara. no máximo perdem o sentido aparente, mas alguém sempre acaba entendendo. alguém sempre tem a chave, mas a essência do sentido não aparece mesmo. saco cheio de palavras, vão catar acentos todas vocês. só quero ficar em paz um pouco, antes que o peso vá entrando nas rachaduras das articulações, tudo marrom vermelhando poeira de tumba, ferrugem nos ossos: a doença do aleijadinho. porfíria, você grita, mãos embaralhadas sobre a bengala do caolho. é, julieta. nos lascamos bonito. couraça grossa de leproso, nada mais penetra. da carne tudo vai se largando aos pedaços, enquanto o couro a cada segundo fica mais invulnerável. e as bolhas? sem letras para as bolhas. sem palavras, sem intenções, sem quero te dizer uma última coisa, nunca mais letra alguma, não mais palavrórios, agora é ação. tudo certinho, todos acreditando? até você, berenice? inação para a platéia. costelas de mohandas gandhi ao molho madeira passando em cortejo até a água podre do ganges. cinzas no muco do irrepreensível nariz de shiva. veneno no sangue das meninas. moisés é que estava certo, catarina: que se limpe a imundícia. viva jesus. ah, não me venha com esse esgar de espírito santo, eu vi você por lá, passando o arado por cima de meus farrapos. mona, cara mia, você talvez tenha uma idéia do que eu não posso fazer. você sabe tudo, não é? do meu lado eu só entendo de lamber feridas e enfiar os cotovelos na mesa. para onde foi sua alma, que eu não vi? index prohib - o cacete, o cacete! tudo não passa de um monte de coisinhas empilhadas, chuva em castelos de baralho, saudades comburentes e anéis de fumaça de cópulas absurdas. tudo é apenas o velório público de um cadáver de criança semi-devorado pelo tempo e por animais selvagens. este é o grande sentido de tudo, isolda. mas - disso também sabemos - quem se preocupa com sentidos se abstém da fruição. que se dane em dourados de giotto, descascando pertos das bordas. quase lembro do dia em que pela primeira vez avistei o altar da virgem, meus irmãos prostrados na sujeira, plutão ao lado de urano tornando agradável o cheiro de impermanência na água das flores mortas, mas isso tudo são coisas que você me contou. eu mesmo não me recordo nem da primeira vez em que nos encostamos. minha especialidade é ficar com as últimas coisas na memória. sou um escatologista, maria madalena. enfio a pele no cabide e mergulho durante horas perdido no escuro sem cima nem baixo até enterrar as patinhas na raiz do problema. atolado enfim. e aí, maga, sabe o que eu faço? disfarço um ponto e vírgula de ponto final, meu amor, e por ora estamos conversados;

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(putaria.)